F – Mais Rememorações Pessoais e, também, Relacionadas com a Idéia de Viagens

          Eu era muito sedentário em Belém. Aí morava, estudava e, na infância e na adolescência, apenas viajava a passeio pela Estrada de Ferro de Bragança, ora para Santa Isabel, onde morava meu avô Eliseu e sua família, ora para ir a Bragança, minha cidade de origem, e a Castanhal, onde moraram minha irmã Olguinha e sua família. Destas viagens, tenho gratas lembranças dos reencontros com parentes muito próximos, tais como meu avô, em Santa Isabel, e o Ophir e sua esposa Stella, e Olguinha e seu marido Dário, e meus sobrinhos, os filhos destes meus dois irmãos (antes das mudanças desses dois irmãos e suas famílias para Belém). Mas, também, lembro com prazer do bucolismo daquelas cidades   – Bragança, Santa Isabel e Castanhal –   calmas, tranqüilas, cujo silêncio apenas era perturbado com as chegadas dos trens; lembro dos banhos prazerosos com meus familiares nos igarapés e, da bela paisagem da frente de Bragança, à margem do Rio Caeté, que aí passa em sua mansidão. Estilo de vida impossível nos dias atuais. A minha primeira viagem ao Mosqueiro eu a fiz quando já tinha quinze anos de idade. Fui pela primeira vez a Salinas já em companhia da Edith! A Edith, sim, desde criança ia com sua família ora passar férias na Praia do Farol, em Mosqueiro, ora, em Salinas. Quando fiz minha primeira viagem de avião, eu já estava com 24 anos de idade; foi em uma viagem como militar (da reserva convocado para estágio) para Manaus, assunto que abordarei com mais detalhes abaixo.

          Lembro do tempo em que eu era estudante secundarista, de minhas idas com colegas ao cais do porto de Belém, de onde eu olhava em profundidade em direção ao horizonte e sentia uma forte emoção ao imaginar que um dia eu transporia aquela linha longínqua do encontro das águas com o céu, seguindo em direção ao sul do país… Esta emoção exprimia a imensa vontade que eu tinha de realizar essa viagem! Antes, porém, quando ainda era criança com 10 – 11 anos, eu subia em uma grande mangueira que existia em frente a minha casa, na Av. Ceará, ia até onde era possível subir, na parte mais alta, para de lá olhar para o horizonte, em uma tentativa de avistar a baía de Guajará, à margem da qual se situa Belém, porta de saída para o sul do país e para o Mundo. Eu alimentava, desde aquela época, a idéia de um dia viajar, de conhecer outras terras!

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