J – O Trabalho em Belém

          Com 16-17 anos de idade, a Edith trabalhou como recepcionista multilíngüe da Aerovias Brasil, uma companhia de aviação. Na mesma época, também, traduzia catálogos para o escritório de seu pai. Ao sair da Aerovias, passou a trabalhar na Rádio Marajoara, desde a fase experimental desta emissora, durante a qual a Edith, locutora,  anunciava que a emissora em breve entraria no ar definitivamente. Na Rádio Marajoara, Edith foi locutora durante um tempo inicial, foi, também, produtora de programas e rádio-atriz; mas, seu trabalho principal era escrever, produzir, criar programas de rádio. Ficou neste emprego até o final de seu curso de medicina, quando passou a trabalhar como médica particular e como professora da Faculdade de Medicina, na Cadeira de Clínica Médica da qual era catedrático o Dr. Afonso Rodrigues Filho. A Edith se graduou em medicina no final de 1959 e logo ingressou, mediante concurso, como professora de Clínica Médica da Faculdade de Medicina. No Departamento de Clínica Médica, Edith foi, sucessivamente, professora Auxiliar de Ensino, Professora Assistente e Professora Adjunta, por concursos. Concomitantemente, trabalhou, como médica do Hospital Psiquiátrico “Juliano Moreira”, no qual era a chefe da Clínica Feminina, e era médica do Instituto de Aposentadoria e Pensão dos Comerciários-IAPC. Foi professora de Biologia Educacional no curso de formação de professores primários do Colégio “Visconde de Souza Franco”. Instalou, no início de 1966, um consultório de psicoterapia e psiquiatria (em sala que adquiriu no centro de cidade), onde teve numerosa e crescente clientela até que nos mudamos para São Paulo, no final de 1969. 

Quando eu estava no curso ginasial (3º ou 4° ano)   – não lembro a época com precisão -,    dei aulas particulares de francês a alunos que iam a minha casa ou que eu ia às suas casas para as aulas; foi o primeiro trabalho remunerado que tive. Ministrei, também, aulas de geografia, em um cursinho vestibular, quando estava no colegial com 17 ou 18 anos.  Depois, só aos 19 e 20 anos vim a ser remunerado como aluno do C.P.O.R. (Exército). Durante certo tempo, em minha adolescência, o Osiris me mandava de São Paulo, todos os meses, cinqüenta mil reis, para fazer face às minhas despesas pessoais. O primeiro emprego propriamente dito, que tive, foi no Banco da Amazônia, quando era estudante universitário, tendo sido contratado por influência do Osiris, que era funcionário do Banco. Neste trabalho fiquei por quase dois anos, tendo pedido minha dispensa pelo fato seguinte: Foi nesta fase que eu fui chamado pelo Exército para estagiar no 27º B.C., em Manaus, onde fiquei por três meses (cf. acima); o estágio ocorreu do final de 1955 até março de 1956, ano em que eu iria cursar, como de fato cursei, o 5º e último ano do Curso de Direito; no início de junho/56, quando se aproximavam as provas do meio do ano na Faculdade, o Banco me convocou para fazer trabalho extra; o expediente normal era pela manhã; o horário extra seria pela tarde; como eu precisava estudar muito para fazer as provas, solicitei ao Banco que o trabalho extra que eu tivesse que fazer apenas acontecesse depois de minhas provas na Faculdade; um chefe estúpido e autoritário recusou de forma irredutível o meu pedido, em decorrência de cuja decisão eu teria que trabalhar de imediato, também, nas horas extras. Em face da situação e não querendo ter baixo desempenho em minhas provas, não tive outra alternativa, pedi minha dispensa do Banco, deixei o emprego. Quando saí do Banco, ocorreu que, em decorrência de um pedido de meu pai ao senador Álvaro Adolfo da Silveira (que era seu amigo desde os tempos da infância no Ceará), fui nomeado Promotor Público da Comarca da Vigia, na Zona do Salgado. Eu ainda não havia concluído o Curso de Direito, mas era solicitador regularmente inscrito na Ordem dos Advogados do Brasil-Secção do Pará. Nessa época, os alunos de Direito, a partir do 4º ano do curso, podiam inscrever-se na Ordem como solicitadores. Estes eram competentes para praticar todos os atos profissionais que um advogado pratica, exceto assinar petição inicial e podíamos exercer a função do Ministério Público. Não podíamos ser pretores, nem juízes. Fiquei na função de promotor público de dois a três meses, quando fui levado a pedir exoneração do cargo pelo fato que se segue. Aproximava-se o final do ano, quando teríamos a solenidade de colação de grau, no Curso de Direito. Minha turma se reuniu para decidir quais seriam os professores homenageados e qual seria o paraninfo à turma. O Estado do Pará se encontrava em uma fase de efervescência política e os partidos políticos estavam lançando seus candidatos às diversas funções eletivas. Um antigo professor catedrático da Faculdade, Lameira Bittencourt, havia muitos anos não ministrava aulas, por estar licenciado para exercer a função de senador. Seu partido, o PSD-Partido Social Democrático (que de social democracia nada tinha!), projetava lançar sua candidatura ao governo do Estado. Então, os próceres do partido consideraram que seria importante politicamente ele ser homenageado por nossa turma sendo escolhido paraninfo. Fui chamado pelo Secretário de Justiça do governo do Estado, Aurélio do Carmo, para uma reunião no Palácio do Governo, ocasião em que o referido secretário, com um certo tom de chantagem, comunicou aos presentes, quintanistas de Direito e funcionários públicos estaduais, que deveríamos eleger aquele catedrático nosso paraninfo porque esta homenagem interessava ao governo. Eu lhe disse que referido mestre não havia sido nosso professor e que a turma já estava cogitando de escolher como paraninfo um dos nossos professores. O Secretário foi irredutível em sua determinação esdrúxula considerada  sua função! Então, como me insurgi contra esta imposição política autoritária e descabida, pedi minha exoneração do cargo que ocupava no Ministério Público e fui à Faculdade para denunciar a tentativa de ser usado político-partidariamente, pelo partido do governo, uma questão interna da turma, tal seja a escolha do paraninfo à turma, decisão que deveria acontecer de forma livre e sem pressões externas. A maioria da turma elegeu paraninfo o nosso professor Orlando Bitar e eu deixei de ser Promotor Público. Ainda como solicitador, abri um escritório de advocacia por curto tempo, associado com meus colegas de turma José de Ribamar Darwich e Raimundo Cunha. Formei-me em Direito em dezembro de 1956 e fui trabalhar, a partir de janeiro de 57, no movimentado escritório de advocacia do advogado Egídio Salles. Este advogado havia sido colega de turma do Osiris, na Faculdade e foi a pedido deste meu irmão, que fui admitido como um dos três advogados do escritório (um outro jovem advogado recém-ingressante neste escritório foi o Raimundo Medeiros da Silva, meu colega de turma na Faculdade). Exerci a profissão durante seis meses. Não gostei da prática da advocacia. Casei-me no dia 2 de julho de 1957 e, no início do segundo semestre letivo, em agosto, fui convidado a lecionar português (língua e literatura) no Colégio Estadual “Paes de Carvalho”-CEPC (onde eu havia estudado durante o secundário). Logo passei a lecionar, também, História do Brasil, no Colégio “Abraham Levy”[1] e, português, no Instituto de Educação do Pará-IEP, para cuja função fui convidado.

Mesmo vivenciando a situação acima narrada, nesta última fase, ainda, eu, o José de Ribamar Darwich e o Raimundo Cunha nos associamos, por curto espaço de tempo, com o advogado Cléo Bernardo, em seu movimentado escritório.

Minhas atividades profissionais principais serão abordadas em outros itens deste texto.

 


[1] A cuja Diretora e proprietária, a advogada Alice Antunes, o Osiris, que havia sido seu colega na Escola Normal, indicou-me para ser admitido como professor.

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