Q – A Vida Profissional

Continuando as considerações sobre a vida profissional. Concomitantemente ao meu trabalho na Universidade, em 1961, fui contratado como técnico da SPVEA-Superintendência do Plano de Valorização Econômica da Amazônia (que, depois, veio a ser a SUDAM), onde fui lotado no Setor Técnico e Orçamentário[1]. Foi um ótimo emprego, onde eu era bem remunerado e, em função do qual, fiz diversas viagens técnicas pela Região, no Pará, no Maranhão, no Amapá e no Amazonas. Neste último Estado, fui coordenar um grupo de trabalho do governo estadual, que elaborou um plano de desenvolvimento educacional para o Estado. Trabalhei na SPVEA até março de 1964. Então, licenciado da UFPA (licença remunerada) e da SPVEA, vim para São Paulo fazer cursos de pós- graduação. Ocorre que, no dia 1º de abril, teve lugar o golpe militar e o país mergulhou em uma ditadura. Eu havia vindo para São Paulo também com uma bolsa da SPVEA, o que me garantia manter o mesmo padrão salarial que eu tinha em Belém. Militares assumiram a gestão da SPVEA e consideraram que ter bolsa de estudo era subversivo e me dispensaram de minha função no órgão.

Os Dois Anos de São Paulo – 1964/65

Naqueles dois anos   – 1964 e 1965 -,  moramos em um apartamento à Rua Arruda Alvim, em Pinheiros, próximo do Hospital das Clínicas. O José Jorge freqüentou uma escola maternal-jardim de infância que se chamava “Narizinho”, na Alameda Lorena, Jardins [2]. O Álvaro passava as manhãs na creche do Hospital das Clínicas-USP, para onde nós o levávamos quando a mãe ia para seu trabalho no referido Hospital. Nasceu o Márcio Orlando em novembro de1964. A maior parte do tempo em que estivemos, então,em São Paulo, a minha mãe morou conosco. Durante os últimos seis meses de1965, a Eleonora, minha cunhada, que se casara, morou em nosso apartamento com seu marido.

CEPEA-Centro de Estudos e Pesquisas da Amazônia

Retornando, aqui, aos registros na ordem cronológica: A partir dos últimos meses de 1968 e durante o ano de 1969, tentei organizar, associado ao antropólogo e sociólogo Roberto Cortez de Souza, um cursinho vestibular, que não deu certo; em sociedade com esse mesmo amigo (que havia sido meu aluno no Instituto de Educação do Pará-IEP), constituímos uma instituição de pesquisa de mercado e de opinião, o Centro de Estudos e Pesquisas da Amazônia-CEPEA. Nossa entidade realizou, com sucesso, diversas pesquisas de mercado, em Belém.


[1] Foi no início do governo de Jânio Quadros na Presidência da República. O novo Superintendente da SPVEA, nomeado por Jânio, era o advogado e professor Aldebaro Klautau. Nesta época havia no órgão um colegiado de técnicos, a Comissão de Planejamento, que constituía o escalão logo abaixo do Superintendente e que traçava as grandes diretrizes estratégicas para o desenvolvimento da Região nos diversos setores de atuação da SPVEA. Então, faziam parte da Comissão de Planejamento técnicos e representantes das diversas unidades federadas regionais: Armando Mendes (economia), Roberto Santos (educação), Jarbas Passarinho (recursos naturais), Camilo Silva Montenegro Duarte (representava o Estado do Pará) e outros, cujos nomes não me vêm à memória. Na estrutura do órgão de desenvolvimento regional, era na área educacional do Setor Técnico e Orçamentário, que estava afeta à minha função.

[2] Próximo da escolinha do José Jorge, havia uma outra escola infantil que se chamava “Chapeuzinho Vermelho”.  Pressionada pelas forças da direita no poder, que consideravam ser subversivo o nome da escola (“… Vermelho”), a direção da “Chapeuzinho Vermelho” mudou o nome da instituição para “Marechal Cândido Rondon”!…

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