R – Mudança para São Paulo

          Eu e Edith decidimos, após minha aposentadoria compulsória (cf. acima), que era melhor para nossa família nós nos mudarmos para o sul (sudeste) do país. Alto funcionário da UFPA, Machado Coelho, chefe de gabinete do Reitor Aloysio Chaves,  também me aconselhou no mesmo sentido. Porém, antes desta aposentadoria, no início de 1969, eu havia pedido na UFPA licença para tratar de interesses particulares e vim para São Paulo apenas com o José Jorge, que, ao tempo, tinha sete anos de idade. Ficamos hospedados na casa do Osiris, meu irmão, na Vila Mariana. Então, trabalhei como professor de Sociologia em duas Faculdades, para as quais fui indicado pelo Osiris, que nelas trabalhava. Também, a convite do professor Cândido Procópio Ferreira de Camargo, trabalhei como estagiário no Centro de Estudos de Dinâmica Populacional-CEDIP, uma instituição de pesquisa em demografia da USP, que funcionava na Faculdade de Saúde Pública-USP e onde trabalhavam alguns dos colegas que, logo depois, fundaram o CEBRAP, tais como o Procópio, Paul Singer e Elza Berquó. O José Jorge, então, no segundo ano primário, freqüentou uma escola particular, que ficava próxima à casa do Osiris. Em Abril, pela Semana Santa, fui a Belém  para o nascimento da Rosana. O José Jorge ficou com os tios. Quando eu voltei a São Paulo, o José Jorge me pediu que retornássemos à nossa casa em Belém, ao mesmo passo em que eu não queria ficar tanto tempo longe da Edith, dos outros filhos, inclusive, de minha filha que acabara de nascer; a Edith, também, pediu que retornássemos. Retornamos a Belém.

         Foi então que, em dezembro/69, veio toda a família recomeçar a vida em São Paulo. Eu, como já está dito, estava aposentado compulsoriamente da Universidade e a Edith pediu da UFPA licença para tratar de interesses particulares (dois anos). Mudamo-nos do Pará para São Paulo, nós os pais, o José Jorge, o Álvaro, o Márcio, a Rosana e a mamãe. A Edith, a Rosana e minha mãe vieram de avião. Eu com o José Jorge, o Álvaro e o Márcio, acompanhados de uma empregada doméstica (a Antônia), viemos pela rodovia Belém-Brasília, que, nessa época, era uma estrada de terra; viajávamos durante o dia e pernoitávamos nas cidades ao longo da rodovia. Eu fui o motorista em nossa Rural Wyllis. A Edith já partira no início de dezembro (1969), pois iria assumir um emprego em um hospital psiquiátrico. Eu com as crianças iniciamos a viagem às 10 horas da manhã do dia 25, Dia de Natal; depois de uma semana na estrada, chegamos a São Paulo no dia 31 de dezembro de 1969, ao meio dia. Emigráramos, definitivamente, para São Paulo.

São Paulo

         A Edith com a Rosana e a minha mãe, como eu disse acima, se anteciparam em nossa mudança para São Paulo, ou seja, vieram no início de dezembro de 1969 e, hospedadas na casa do Osiris, a Edith procurou alugar uma casa para a família. Quando eu cheguei com o José Jorge, o Álvaro e o Márcio, a família foi morar na casa que alugamos, à Rua Botucatu, Vila Clementino, próxima do Hospital São Paulo. A Edith já estava trabalhando em uma clínica psiquiátrica, o INSA, e, logo em janeiro/70, eu fui contratado para trabalhar na ASPLAN, provavelmente a primeira empresa privada de planejamento do país. Para este emprego fui indicado por um amigo do Osiris a pedido do meu irmão. Logo a Edith estava, também, ingressando no magistério na Faculdade de Medicina da USP.

Estudos dos Filhos em São Paulo

          O José Jorge e o Álvaro, já no curso primário, logo passaram a freqüentar o Grupo Escolar “Pedro Voss”, uma escola pública estadual, que se localizava relativamente perto de nossa casa. Procuramos levar o Márcio a estudar o pré-primário no Liceu Pasteur, no mesmo bairro. Mas, ele não quis permanecer nesta escola. Por isso, passou a estudar, alfabetizando-se, com uma professora particular, que morava às proximidades de nossa casa. O Márcio, no ano seguinte, ingressou no primeiro ano primário, também, no “Pedro Voss”. Rosana e Andréa, assim que atingiram as idades adequadas, passaram a freqüentar o Jardim de Infância e a Escola Maternal, respectivamente, na escola “Reino Encantado”, na Vila Mariana. Depois, elas também foram, como os irmãos, fazer o curso primário do “Pedro Voss”, de onde se transferiram para o Colégio Equipe, onde concluíram o curso secundário. O José Jorge, o Álvaro e o Márcio fizeram os primeiros anos do ginasial no Colégio “José Maria Witaker”, que funcionava no mesmo prédio do “Pedro Voss”. O José Jorge e o Álvaro, depois de passarem pouco mais de um ano em outro colégio público modelo, o “Rui Blöem”, também, na Vila Mariana, foram transferidos para uma escola privada, o Colégio “Palmares”, para a qual o Márcio também foi diretamente do “Pedro Voss”. Nesta escola, o “Palmares”, os três filhos concluíram o Curso Secundário.

Paralelamente, as Atividades Educativas Complementares

          Os cinco filhos estudaram francês na Aliança Francesa e, inglês na Cultura Inglesa. O Márcio, a Rosana e a Andréa estudaram, também, alemão, no Instituto Goethe; o Álvaro cursou alemão em uma escola de Ribeirão Preto, cidade em que fazia Medicina; a Carola, sua esposa, era professora de alemão dessa escola. Alguns dos/as filhos/as também freqüentaram estudos de línguas em outras instituições de ensino. Cada filho/a domina de três a cinco idiomas. O aprendizado de línguas estrangeiras foi reforçado em viagens por inúmeros e diferentes países. O José Jorge, o Álvaro e o Márcio, ainda na adolescência, estiveram em outros países do Continente Americano de língua espanhola. Quando tinha dezoito anos de idade, cada um partiu para doze meses consecutivos em diversos países da América do Norte e da Europa. A Rosana, com quinze anos de idade, foi para os Estados Unidos, onde ficou morando em casa da prima Carmen (pelo lado da Edith), quando fez, em um colégio daquele país, no Colorado, um semestre do curso secundário. A Andréa, antes de ir estudar nos Estados Unidos, já havia estado em alguns outros países. Já adultos, todos os filhos vieram a morar no exterior, temporariamente ou de forma permanente, cursando a pós-graduação e/ou a trabalho e, também, em função de matrimônios, conforme o caso, fatos que facilitaram o aperfeiçoamento em outras línguas.

 

Outras Complementaridades Educativas

          Em complementaridade educativa, o José Jorge, o Álvaro e o Márcio foram escoteiros e, também, praticaram judô, tendo, neste esporte, ganho muitas medalhas. No escotismo, conquistaram os mais altos graus de adestramento (O José Jorge, como sênior, conquistou o grau de Escoteiro da Pátria, e o Álvaro e o Márcio, como escoteiros, atingiram o grau de Lis de Ouro). Meus filhos não prestaram o serviço militar; em uma ocasião, conversando sobre o assunto com o José Jorge, ele disse que o serviço militar deles havia sido o escotismo. Só que, nesta atividade educativa, eles estiveram durante mais de quatro anos seguidos. Os/as cinco filhos/as praticaram natação sistematicamente em uma academia. Eu, o pai, fazendo companhia aos filhos, também pratiquei judô, natação e ingressei no Movimento Escoteiro, sendo que neste movimento educativo mundial vim a ocupar altas funções no Brasil e mesmo no escotismo internacional.  Em meu Curso de Insignia da Madeira, fui escolhido Monitor Perpétuo pelos companheiros da Patrulha Lobo. Atingi o mais alto grau no adestramento para adultos (Insígnia da Madeira e Diretor de Curso Avançado). Sempre Alerta para Servir!…

          A Rosana e a Andréa muito cedo praticaram ballet e foram bandeirantes, além de se envolverem em outras atividades educativas ansilares como a Ioga, neste último caso, principalmente, a Rosana, que veio mais tarde a trabalhar com a Ioga profissionalmente. A Rosana também estudou, teatro, na USP. O Álvaro estudou violão durante algum tempo. A Andréa e a Rosana, também, investiram no estudo de flauta transversal, porém não se demoraram nessa aprendizagem. A Rosana estudou canto em um aprendizado que estava relacionado com seu interesse profissional para o teatro. Alguns tiveram, na escola, aulas de flauta doce. Porém, os estudos, na área musical, em geral, não foram demorados, não tiveram prosseguimento.

Residências em São Paulo

          Como já está referido, de início, em São Paulo, moramos durante quatro anos, em uma casa grande (sobrado), isolada, na Rua Botucatu, bairro da Vila Clementino. Desta casa nos mudamos para outra, menor, de esquina, geminada por um lado, localizada na Rua Luiz Goes, na Vila Mariana, residência em que estivemos por 15 anos. Desta nos mudamos para uma quase mansão (como se caracterizam as casas do bairro de sua localização) situada na Rua José de Freitas Guimarães, no bairro do Pacaembu, onde moramos ao longo de 14 anos. Finalmente, viemos morar no apartamento grande e confortável, que compramos, o qual está localizado na Rua Treze de Maio, no bairro da Bela Vista, no centro de São Paulo, próximo do bairro do Paraíso e da Avenida Paulista.

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