Y – 5ª Edição e os Novos Enfoques

         Eu tinha por objetivo, ao escrever este texto, registrar a característica migrante da família, mas, também, alguns aspectos ou detalhes da constituição da parentela em várias gerações, e, de nossa vida antes das crianças nascerem e quando elas ainda eram pequenas e não podiam testemunhar claramente todos os acontecimentos, mesmo em relação a nós os pais. Depois, em cada nova edição   – e, principalmente,  a partir da 5ª versão -, meu texto, preservando o contexto familiar do projeto inicial, foi aumentando (ultrapassou as cem páginas) e ganhando nova feição com acréscimos referentes a outros tipos de abordagens, com detalhamentos de uma pluralidade de fatos ao longo da vida, e com considerações e reflexões nos campos profissional, político e histórico. Agora, este texto, com minhas narrativas, reconstituições, meditações e reflexões, se destina à leitura de meus familiares, mas, também, pode ser lido com interesse por alguns diletos amigos e – quem sabe? –   por outros amigos que eu nem conheço… Quanto à vida em São Paulo, como se trata de um longo período, os filhos cresceram e passaram a ser testemunhas deste tempo, mesmo a Rosana, que veio pequenina, e a Andréa, que aqui logo nasceu; em S. Paulo, todos/as ficaram adultos/as, estudaram e se tornaram profissionais; também, individualmente, vieram a ser grandes viajantes e mesmo migrantes; suas vidas tiveram curso no Brasil e no exterior, casaram-se, nasceram seus filhos e filhas, meus queridos netos e netas. Após essas narrativas e esses registros, deixarei para a segunda parte desta memória (que será trabalhada separadamente desta primeira parte) comentários mais intimistas, e reflexões sobre o processo educativo dos/das filhos/as.

 

Para Concluir a I Parte

         Não posso deixar de registrar, nestas páginas, um sentimento que me acompanha, quando medito sobre a minha vida (como pai de família e profissional) [ao escrever este parágrafo encontrava-me com 77 anos de idade], ao longo dos anos: permitam os leitores   – minha esposa, meus filhos, outros parentes, amigos, leitores anônimos -, que eu diga que vislumbro certos sinais de heroísmo em minha lucta pela preservação pessoal[1], pelos trabalhos que realizei, pelos antagonismos que tive que enfrentar e, mesmo assim, pelo meu transcurso vital harmonioso bem como de minha família, conforme se pode constatar neste texto.

         No presente (em 2011, sem considerar os feitos do passado, que estão registrados em outras partes deste texto), individualmente, além de minhas responsabilidades familiares[2], dedico-me às leituras   – e elas são muitas e intensas –   e, a escrever. Tenho participado de Bancas Examinadores de Doutorado e Mestrado, na USP, na PUC-SP e na UFPA, e tenho organizado alguns eventos acadêmicos na área da antropologia, em Reuniões da Associação Brasileira de Antropologia, as quais coordeno e onde apresento trabalhos, além de participar de outros congressos. Tenho viajado muito ao/no exterior e no Brasil, para estar com os filhos, filhas, netos, netas, bisnetas, noras, genros, irmã, sobrinhos, cunhado, amigos e colegas, quase sempre em companhia da Edith.

          E a vida da família, já bem ampliada, segue, neste Mundo conturbado, porém, todos e cada um de nós imbuídos de muito otimismo no presente e para o futuro!

(São Paulo, 12 de novembro de 2006, data da 1ª edição; texto, em 2008, revisto e ampliado; idem, em 2009, em 2010 e em 2011)


[1] Quanto à preservação pessoal afloram dois âmbitos principais: a) meu trabalho profissional após ter sido perseguido pela ditadura militar, que me rapinou os dois empregos que eu tinha até março de 1964; b) a manutenção da saúde, mesmo com o problema cardiológico, que me levou a ser submetido a uma grande cirurgia para a implantação de duas pontes em minhas coronárias, em junho de 1998, felizmente, com sucesso, e o fato de eu conviver com um aneurismo na aorta abdominal já há muitos anos, porém sob controle médico.

[2] Não levo uma vida sedentária. Pelo contrário: Diariamente saio de casa para fazer compras em supermercados, padarias, farmácias, shoping, restaurantes etc., para ir às livrarias, ao Banco, ao Correio, aos cinemas etc., e para fazer minhas caminhadas terapêuticas quase diárias.

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